As últimas reservas naturais estão à mercê dos madeireiros inescrupulosos
que, com o objetivo do lucro imediato, derrubam as melhores árvores
e não se preocupam com o posterior reflorestamento. Com isso,
não garantem a sustentabilidade da atividade e colocam em risco
a própria sobrevivência do setor.
Com um mercado sempre crescente e cada vez mais
exigente em qualidade, seria fora de propósito proibir a derrubada
de matas naturais se não houvesse a alternativa de utilizar a
madeira oriunda de reflorestamento. Em comparação com outras modalidades
de uso da terra, o reflorestamento ou plantio comercial de espécies
arbóreas é a atividade agrícola que mais se recomendada para a
conservação do solo, proteção dos mananciais e a recuperação de
áreas degradadas. Precisamente, por este motivo, é que se considera
a silvicultura e os cultivos perenes como os mais indicados sistemas
de uso da terra para regimes de clima tropical, onde são mais
graves os riscos de degradação do solo através da erosão e lixiviação.
|
Efeito
do uso do solo de perdas por Erosão
|
|
Uso do solo
|
Perda por Erosão
|
Tempo (anos) para desgaste
de uma camade de 15 cm de solo
|
|
Terra (t/ha)
|
Água (% de cuva)
|
|
Mata
|
0,0004
|
0,7
|
440.000
|
|
Pastagem
|
0,4
|
0,7
|
4.000
|
|
Cafezal
|
0,9
|
1,1
|
2.000
|
|
Algodoal
|
26,6
|
7,2
|
70
|
| -Fonte:
IAC Campinas (SP) |
Acredita-se que, se não for cumprido um rigoroso
programa de florestamento e reflorestamento, o Brasil encontrará
três alternativas bastante desagradáveis e um tanto absurdas,
face às excepcionais condições que o Brasil possui para produzir
madeira, em larga escala:
a) Reduzir o processo de desenvolvimento, diminuindo o consumo
de madeira;
b) Lançar mão das reservas naturais e, principalmente, da Floresta
Amazônica;
c) Importar a madeira necessária de outros países mais previdentes,
sacrificando, ainda mais, a balança de pagamentos e aumentando
a dívida externa.
O Brasil é um país de dimensão continental e
de condições de clima e solo altamente favoráveis para a implantação
de florestas. O desenvolvimento das espécies exóticas utilizadas,
principalmente o pinus e o eucalipto, demonstra resultados espetaculares,
com ciclos silviculturais entre 6 e 7 anos, bem diferentes dos
países de grande tradição florestal, como a Suécia, Canadá e Austrália,
cujos ciclos nunca são inferiores aos 60 e 80 anos.
Além das condições naturais bem favoráveis, o
Brasil possui excedentes de mão-de-obra no meio rural, bem como
considerável domínio tecnológico nas atividades ligadas à formação
de florestas e produção de madeira.
O eucalipto não foi escolhido por mero acaso,
como o gênero potencialmente mais apropriado, mas foi uma escolha
em função das inúmeras vantagens, destacando-se algumas:
a) Rápido crescimento volumétrico e potencialidade para produzir
árvores com boa forma;
b) Características silviculturais desejáveis, como bom incremento,
boa forma, facilidade a programas de manejo e melhoramento, tratos
culturais, desbastes, desramas etc;
c) Grande plasticidade do gênero, devido à grande diversidade
de espécies, adaptando-se às mais diversas condições;
d) Elevada produção de sementes e facilidade de propagação vegetativa;
e) Adequação aos mais diferentes usos industriais, com ampla aceitação
no mercado.
Para o caso específico do Brasil, o eucalipto
possui um caráter estratégico, uma vez que a sua madeira é responsável
pelo abastecimento da maior parte do setor industrial de base
florestal. Basta citar alguns números para se avaliar quão importante
é a sua participação na economia nacional. Da madeira de eucalipto,
atualmente, se produzem por ano, no setor de celulose, 5,4 milhões
de toneladas de celulose, representando mais de 70,0% da produção
nacional; número também impressionante é o setor de carvão vegetal,
com uma produção anual de 18,8 milhões de m³, representando mais
de 70,0% da produção nacional; outro setor importante é o de chapa
de fibra, com uma produção anual de 558 mil m³, representando
100.0% da produção nacional; o setor de chapas de fibra aglomerada
produz 500 mil m³, representando quase 30,0% da produção nacional.
O reflorestamento desempenha um papel importante
como fator de desenvolvimento sócio-econômico em nível regional
e nacional. Mais do que isto, o reflorestamento deveria ser encarado
como a própria salvaguarda das reservas naturais do País. Olhado
sob esse prisma, o eucalipto passa a ser uma espécie altamente
ecológica, porque poupa as reservas nativas de serem utilizadas
em nome do progresso de um povo. E o eucalipto, embora espécie
exótica, oriunda da Austrália, é a espécie de maior presença nas
atividades de reflorestamento, em função das vantagens mencionadas
anteriormente.
|
Capacidade
produtiva das principais espécies utilizadas em reflorestamento
|
|
País
|
Espécie
|
Produtividade (m³/ha/ano)
|
Rotação
(anos)
|
|
Brasil
|
Pinus taeda
|
25
|
20
|
|
Brasil
|
Pinus tropical
|
35
|
20
|
|
Brasil
|
Eucalipto
|
30
|
7 / 14 / 21
|
|
Brasil
|
Eucalipto (clones)
|
60
|
7 / 14 / 21
|
|
Chile
|
Pinus radiata
|
25
|
20
|
|
Estados Unidos
|
Pinus taeda
|
12
|
20
|
|
África do Sul
|
Pinus patula
|
19
|
30
|
|
Escandinávia
|
Picea abies
|
5
|
60
|
|
Suécia
|
Coníferas
|
3
|
60
|
É evidente que o reflorestamento, feito sob o
interesse industrial, de produzir florestas homogêneas e de grande
produtividade, não substitui a floresta natural em toda sua biodiversidade.
Em razão disso, alguns "arautos da Ecologia", leigos ou fanáticos,
consciente ou inconscientemente, procuram maximizar os problemas
e dramatizar as conseqüências. A maioria das críticas às atividades
de reflorestamento é meramente poética, sem qualquer consistência
técnica e é emitida por curiosos ou leigos da Ecologia, uma ciência
muito importante, mas que muitos se julgam doutores sem o serem.
Tais elementos se valem das falhas ocorridas na implantação e
manejo dos primeiros povoamentos, quando por falta de escrúpulo
e de conhecimentos técnicos, cometeram-se verdadeiros crimes contra
a natureza.
Na maioria das vezes, o grande culpado pelas
alterações do ambiente não é o eucalipto em si e nem a floresta,
mas o próprio empresário, devido ao pouco preparo técnico.
A questão dos efeitos ambientais das plantações
de eucalipto parece, hoje, tão indefinida quanto a própria origem
dessas especulações. As polêmicas sobre a cultura sempre foram
acirradas e há os que atribuem a ela a destruição das matas nativas,
o empobrecimento do solo, o esgotamento da água e redução da biodiversidade
animal e vegetal; além disso, reduz as oportunidades de trabalho
na região onde é plantada, aumentando o êxodo rural. De outro
lado, há os que consideram o eucalipto como a única alternativa
capaz de evitar a destruição dos remanescentes de mata nativa.
Polêmicas à parte, é preciso que as questões
emocionais dêem lugar a evidências científicas. Inúmeros questionamentos
se fazem ao comportamento do eucalipto, em vários países. A sua
natureza exótica causa arrepios naqueles nacionalistas eufóricos.
Chegam, mesmo, a questionar sobre a existência de alguma espécie
nativa que possa substituir a espécie "alienígena"; outros, ainda,
procuram relacionar o eucalipto e a Austrália, país de origem
e muito seco, e forçando uma correlação entre a árvore e o meio.
O eucalipto chegou à Europa em 1774 pela crença
generalizada em seu poder milagroso contra a malária e outras
doenças. Não se conhecia, à época, a etiologia da malária e o
eucalipto cumpriu seu papel "milagroso", diminuindo os casos da
doença, com a eliminação do encharcamento dos pântanos. Em 1871,
ao contrário, a introdução do eucalipto no estado do Rio de Janeiro,
no Brasil, coincidiu com um surto de febre amarela; não é preciso
dizer que, em 1882, na cidade de Vassouras, todas as árvores de
eucalipto foram arrancadas pelo povo como responsáveis pelo aparecimento
da doença na cidade.
Um questionamento por demais importante é relacionado
ao consumo de água, com a alegação de que a espécie é considerada
"ressecadora de solo e precursora de desertos". Outro questionamento
é quanto à sua possível influência sobre o solo, tanto do ponto
de vista de proteção quanto das propriedades físicas, químicas,
efeitos alelopáticos sobre a microflora e de seu esgotamento,
em função da alta demanda de nutrientes pela cultura do eucalipto.
Outro questionamento sobre o eucalipto é quanto à formação de
monoculturas extensas, caracterizadas por apresentar baixa diversidade
ecológica, resultando em instabilidade ou vulnerabilidade a mudanças
climáticas ou ataque de doenças e pragas.
Não se pode perder de vista que o gênero Eucalyptus
possui mais de 700 espécies, com genótipos adaptados às mais variadas
condições de solo e clima. A existência essa variação intra-específica
em relação aos fatores ambientais já foi confirmada para uma série
imensa de espécies, sendo extremamente difícil e temerário fazer
generalizações.
Parte das críticas contra o eucalipto é conseqüência
de expectativas frustradas, como resultado de programas malsucedidos
de reflorestamento. Especificamente, no Brasil, as falhas ocorridas
na implantação e manejo dos primeiros povoamentos contribuíram
para a formação de florestas desuniformes e com baixa produtividade.
O insucesso dos reflorestamentos iniciais se deveu aos seguintes
fatores:
a) Inexistência de trabalhos específicos que norteassem o estabelecimento
de novas florestas;
b) Planejamento inadequado do uso da terra, com a utilização inadequada
das áreas, da quantidade e qualidade de fertilizantes, manejo
incorreto do solo, com a falta de uso de técnicas conservacionistas
etc.
c) Escolha inadequada de espécies/procedências, em razão do desconhecimento
das espécies, inexistência de sementes melhoradas e de programas
de melhoramento etc.
d) Falhas na política, legislação e, principalmente, na fiscalização,
permitindo-se a evasão de recursos, a substituição total da floresta
natural pela plantada e o abandono de muitas propriedades após
o segundo ano de plantio.
A despeito de muitos problemas com os reflorestamentos
iniciais, a elevada demanda de matéria-prima florestal exige a
implantação de monoculturas.
Porque uma cultura exótica?
O conceito de espécie exótica não deve ter limites
políticos, mas apenas e estritamente ecológicos e históricos.
Toda espécie requer uma série de exigências quanto aos fatores
do meio. Dentro do amplo espaço ecológico, existem espaços menores
que apresentam algum fator de restrição ao completo desenvolvimento
da espécie, assim como existem espaços menores que apresentam
um conjunto de fatores ambientais que permitem o máximo aproveitamento
pela espécie. As comunidades naturais não são estáticas e a introdução
de espécies exóticas é bem aceita dentro do conceito moderno da
ecologia evolucionária.
Os cientistas afirmam que nem o estágio de clímax
das florestas naturais é condição única para a existência de estabilidade
e nem a atividade de reflorestamento com eucalipto representa
uma atuação antrópica despropositada. Quando se comparam espécies
agrícolas e florestais, há uma duplicidade de valores. As grandes
culturas agrícolas do mundo são exóticas, sem quaisquer contestações,
como é o caso do milho, trigo, arroz, batata, mandioca, café,
cana-de-açúcar etc. Além do exotismo dessas culturas, não se contesta
o seu impacto quanto à elevada demanda de nutrientes minerais
e de irrigação, ao uso intensivo do solo, à perda de solo por
erosão, ao uso de pesticidas, à adoção de monoculturas extensivas
etc.
O eucalipto resseca o solo?
Qual seria o efeito da cultura de eucalipto sobre
o funcionamento hidrológico? Qual seria o impacto da cultura sobre
a disponibilidade de água no solo? É preciso se analisar que o
fenômeno de ressecamento do solo poderia ser o resultado de uma
diminuição cíclica das chuvas; poderia ser conseqüência da intensidade
de uso do solo, do aumento da população e de áreas urbanizadas
e industrializadas, do aumento do uso do fogo, do aumento das
áreas de pastagem, fatores estes que, somados, conduzem a uma
compactação e revestimento, com uma conseqüente gradual diminuição
de infiltração de água no solo.
Em condições tropicais, com a estação chuvosa
bem concentrada em alguns meses do ano, o funcionamento hidrológico
é, normalmente, mais vulnerável aos impactos resultantes das atividades
do uso da terra. Com a diminuição da infiltração, a água da chuva
tende a escoar superficialmente pelo terreno, diminuindo a recarga
subterrânea. O aumento da utilização dos reservatórios de água
subterrânea para irrigação e abastecimento público pode contribuir
para o abaixamento do lençol freático, diminuindo o fluxo das
nascentes e dos cursos d´água durante a estação seca. À medida
que o efeito hidrológico foi ficando mais evidente, as plantações
florestais foram se tornando alvo de críticas.
Quando se analisa o balanço de água numa floresta,
deve-se levar em consideração a interceptação, evaporação, transpiração
e escoamento superficial da água. A maioria das críticas ao eucalipto
é relativa à transpiração. Mesmo dentre as diferentes espécies
do gênero Eucalyptus, existem diferenças marcantes. O Eucalyptus
camaldulensis, espécie muito plantada no cerrado mineiro, onde
a deficiência hídrica é elevada, apresenta uma transpiração muito
baixa, quando comparada com Eucalyptus urophylla e Eucalyptus
pelita. Alguns pseudocientistas chegaram a afirmar que o eucalipto
poderia consumir até 360 litros de água por dia. Num espaçamento
de 2 x 2 metros, isso equivaleria a uma evapotranspiração diária
de 90 milímetros, o correspondente à cifra astronômica de 16.425
milímetros anuais. Por certo, tais valores são irreais e contrariam
todas as bases científicas, levando-se em conta a quantidade normal
de energia solar disponível para a evaporação da água, onde o
limite máximo de evotranspiração anual é de 1.500 milímetros anuais
e a ação dos estômatos que realiza efetivo controle biológico
do processo de transpiração da planta.
Outras culturas, até mesmo anuais, como as agrícolas,
demandam maior quantidade de água que o eucalipto, no período
de máxima atividade vegetativa. Um dos maiores pesquisadores da
área, Walter de Paula Lima, da ESALQ-USP, afirma que diferentes
espécies florestais podem apresentar uma similaridade nas taxas
de evotranspiração total e relaciona inúmeros trabalhos internacionais
que comprovam que o controle estomático da transpiração das espécies
de eucalipto é muito semelhante ao de outras espécies florestais.
Os valores de perdas por interceptação nas plantações de eucaliptos
são semelhantes e até menores que os observados em condições de
floresta natural. Em função da alta taxa de crescimento, há uma
conseqüente alta taxa de consumo de água, mas altos valores de
eficiência de água do solo. Comparando-se a eficiência do uso
da água, em termos de biomassa/kg de água consumida, têm-se: Pongamia
pinnata, 0,8; Prosopis juliflora, 1,7; Albizzia lebbek, 1,7; Eucalyptus
tereticornis, 1,9. Comparando-se a eficiência do uso da água para
algumas culturas agrícolas, tem-se que, para cada quilo de água,
uma produção de 0,98 grama de trigo, 0,05 grama de feijão, 1,8
grama de açúcar, 1,08 grama de milho e 0,6 grama de batata.
|
Extração
de Nutrientes por diversas culturas
|
|
Cultura
|
Produtividade (ha)
|
Extração
(kg/ha/ano)
|
|
Eucalipto
|
45 (st/ha/ano)
|
67,5
|
|
Cana
|
85 ton
|
301
|
|
Capim colonião
|
23 ton
|
43
|
|
Laranja
|
5 caixas/pé
|
199,4
|
|
Cacau
|
1,5 ton
|
174,2
|
|
Seringueira
|
0,6 ton
|
8,7
|
|
Café
|
2 ton
|
140,7
|
| -Fonte:
IAC Campinas (SP) |
Comprovando essa eficiência no uso da água, os
pesquisadores utilizaram moderadores de nêutrons para estudar
o efeito das florestas homogêneas de eucalipto sobre o regime
de água e verificaram que a presença de florestas de eucalipto
não apresentou qualquer efeito adverso sobre o regime de água;
a retirada de água coincidia com a época de maior disponibilidade
e, aos primeiros sinais de seca, o eucalipto consumia menos água,
restringindo a perda por transpiração.
Outros experimentos comprovaram que as florestas
nativas e algumas culturas agronômicas transpiram tanto ou mais
que o eucalipto. Quando comparado com duas essências nativas,
o angico vermelho (Piptadenia rigida) e urundeuva (Astronium urundeuva),
verificou-se igual consumo de água para todas as espécies. A alegada
capacidade de crescimento em áreas encharcadas é muito restrita
de algumas espécies, como Eucalyptus robusta, E. camaldulensis
e E. tereticornis A quase totalidade das espécies não suportaria
crescer em tais ambientes e, por certo, ali não sobreviveriam.
Caberiam inúmeros questionamentos sobre a localização,
os métodos de implantação e manejo dos povoamentos, a escolha
adequada das espécies e os processos de exploração, que determinam
a influência de qualquer cultura sobre o ciclo hidrológico.
O eucalipto empobrece o solo?
Em função da alta taxa de crescimento, há uma
conseqüente demanda de nutrientes do solo. Cabem aqui algumas
perguntas: "Quanto de nutrientes a eucalipto retira do solo? Em
termos comparáveis de produção de madeira, será que as plantações
de eucalipto esgotariam as reservas de nutrientes do solo mais
rápida ou exaustivamente que outra espécie vegetal?"
Algumas espécies são afetadas mais severamente
do que outras pela deficiência nutricional e é bem possível que
essa adaptação a solos de baixa fertilidade pode significar uma
capacidade de sobrevivência. Embora os solos da Austrália, onde
os eucaliptos ocorrem naturalmente, sejam de baixa fertilidade,
não se deve entender que as espécies sejam menos exigentes em
todas as circunstâncias; ao contrário, tais espécies sobrevivem
em solos de baixa fertilidade, mas são bastante sensíveis à fertilização.
Quando comparado a qualquer outra cultura, o
cultivo de eucalipto se mostra muito menos prejudicial ao ambiente
devido aos seguintes motivos:
a) Cobertura vegetal conferindo maior proteção ao solo;
b) Maior ciclo de rotação, possibilitando o surgimento de outras
plantas no interior dos plantios, formando o sub-bosque;
c) Menor necessidade de preparo do solo, devido ao longo período
de rotação da cultura;
d) Menor utilização de fertilizantes;
e) Maior tolerância da cultura ao ataque de pragas e doenças,
acarretando menor necessidade de utilização de defensivos químicos;
Manejo florestal adequado pode proporcionar a
sobrevivência de algumas espécies animais na área de produção.
A influência dos métodos de manejo nos povoamentos
florestais sobre a fertilidade do solo deve ser analisada separadamente
para cada nutriente, em razão das diferenças nos processos relativos
à ciclagem no ecossistema. É surpreendente a quantidade de nutrientes
contidos nas folhas, ramos e casca das árvores de eucalipto.
O eucalipto é mais eficiente que as coníferas
no processo relativo à ciclagem interna de nutrientes. Nos últimos
anos, tem aumentado a preocupação com o manejo adequado dos resíduos
de exploração. A queima, antes utilizada para a limpeza do terreno,
promovia grandes perdas de nutrientes por volatilização e lixiviação,
devido à liberação de nutrientes em quantidade superior à capacidade
do solo, durante a ausência de vegetação responsável pela fixação
da biomassa. A queima, ainda, promove uma redução drástica da
matéria orgânica no solo, muito importante nas propriedades físicas,
como mantenedora da fauna do solo.
A idade em que as árvores de eucalipto são cortadas
guarda bastante relação com a quantidade de nutrientes que podem
ser removidos do solo. Por ocasião da formação do cerne, que ocorre
normalmente a partir dos oito anos de idade, os nutrientes são,
normalmente, translocados da madeira, onde o cerne deverá conter
menos nutrientes que o alburno. Dessa forma, o corte de árvores
mais jovens deverá remover mais nutrientes que as árvores mais
velhas. Rotações muito curtas exigem mais do solo e não possibilitam
o retorno de folhas, galhos, casca e restos florais que ajudam
a manter a floresta.
|
Extração
de Nutrientes por diversas culturas (kg/ha/ano)
|
|
Cultura
|
Idade (anos)
|
N
|
P
|
K
|
Ca
|
Mg
|
|
Eucalyptus grandis
|
2,5
|
11,2
|
94,9
|
50,0
|
13,1
|
8,1
|
|
Eucalyptus grandis
|
10
|
42,0
|
1,6
|
15,6
|
76,7 |
5,1
|
|
Eucalyptus grandis
|
27
|
16,1
|
0,9
|
11,7
|
36,0
|
6,0
|
|
Café
|
-
|
93,0
|
4,4
|
127,0
|
10,0
|
9,0
|
|
Trigo
|
-
|
80,0
|
8,0
|
12,0
|
1,0
|
4,0
|
|
Milho
|
-
|
127,0
|
26,0
|
17,5
|
1,0
|
11,0
|
|
Batata
|
-
|
81,0
|
18,0
|
159,0
|
10,0
|
4,0
|
|
Cana-de-açúcar
|
-
|
208,0
|
22,0
|
200,0
|
153,0
|
67,0
|
| -Fonte:
UNESP |
Experimentos conduzidos pela ESALQ, em Piracicaba,
(SP) mostraram que o plantio de café "Bourbon amarelo" apresentou
excelentes resultados em solos que apresentavam culturas de Eucalyptus
saligna, durante trinta e três anos. Os pesquisadores dessa mesma
instituição chegam a afirmar que um reflorestamento bem conduzido
nunca pode ser considerado prejudicial ao meio ambiente, uma vez
que as árvores protegem o solo, mais do que qualquer outro tipo
de cultura e o seu vasto sistema radicular retiram os nutrientes
das camadas mais profundas do solo e os depositam na superfície,
através da queda das folhas, galhos e demais componentes biológicos
que compõem a manta florestal. Alguns pesquisadores chegam a afirmar
que as florestas de eucalipto, a partir de cinco anos, chegam
a depositar sobre o solo uma quantidade de folhas, não incluindo
outros detritos, equivalente ao total de detritos de uma floresta
equatorial.
As técnicas utilizadas no preparo do solo, bem
como nas fases de implantação, manutenção e exploração são extremamente
importantes na manutenção da fertilidade do solo, contendo processos
erosivos, evitando cortes rasos e garantindo a sustentabilidade,
através de seguidas rotações.
O eucalipto possui efeito alelopático?
Uma das críticas ao eucalipto se relaciona ao
seu possível efeito alelopático, criando no solo condições desfavoráveis
ao crescimento de outras plantas ou restringindo o crescimento
de certas culturas agrícolas pela proximidade da cultura de eucalipto.
Algumas perguntas vêm-nos à mente: será que o efeito inibitório
do campo não seria conseqüência da forte competição por água,
nutrientes, luz e outros fatores do meio?
Estudos mostram que a introdução de uma espécie
pode causar alguma alteração na flora local, como resultado de
modificações nas condições microbiológicas do solo. Os especialistas
da área são unânimes em afirmar que os alegados efeitos de alelopatia
em eucalipto são, em sua maioria, devido à competição por água
e nutrientes, que se estabelece durante a fase de crescimento
rápido.
O eucalipto reduz a diversidade animal?
A quantidade e a diversidade de espécies animais
que podem ser encontradas num dado ecossistema florestal dependem
do número de nichos disponíveis do habitat. Nesse caso, seja de
eucalipto ou de outra cultura, qualquer monocultura é reconhecidamente
menos capaz de suportar uma alta diversidade de fauna. Em geral,
as monoculturas podem reduzir seriamente a quantidade de energia
e de nutrientes, assim como a disponibilidade temporária de abrigo.
Segundo os especialistas da área, uma plantação
florestal, em si mesma, não é uma condição de completa ausência
de fauna. Os pesquisadores afirmam que os quatro requisitos básicos
para a existência da fauna são; alimento, água, abrigo e condições
para a procriação. As condições de habitat da fauna podem ser
melhoradas com práticas de manejo florestal adequadas, através
de um mosaico de talhões de diferentes idades, desde áreas recentemente
cortadas até povoamentos de diferentes idades e estrutura.
Um dos problemas principais da interação produção
de madeira conservação de fauna é a exigência de certas espécies
animais que requerem árvores adultas ou florestas maduras, como
habitat adequado. A conservação da fauna envolve cinco estratégias
de ação:
a) Existência de um plano de manejo que envolva a ocorrência simultânea
de talhões em diferentes estágios de desenvolvimento, com arvores
adultas ao longo das plantações;
b) Aumento do período de rotação da floresta;
c) Retenção de reservas de florestas naturais sem perturbação;
d) Presença de algumas áreas abertas, sem plantio, uma vez que
certas espécies dependem desse habitat para a sua procriação;
e) Constrição de açudes e represas, bem como o plantio de árvores
frutíferas ao longo da área.
A manutenção de fragmentos florestais ao longo
da monocultura faz com que eles atuem como áreas de dispersão
e colonização de animais silvestres que, ao adentrarem nas florestas
de eucalipto, darão combate aos insetos que se caracterizam como
pragas comerciais. Tais fragmentos servirão, ainda, para oferecer
maior segurança às florestas de eucalipto, com uma reduzida diversidade
biológica, normalmente sujeitas a desequilíbrios ambientais, que
resultam no aparecimento de pragas de difícil controle.
Outro aspecto está na produção de biomassa vegetal
no Brasil. Devido à situação tropical predominante, onde a radiação
e a temperatura influenciam na taxa de fotossíntese e, conseqüentemente,
na absorção do dióxido de carbono na atmosfera, o plantio de eucalipto
permite a fixação de carbono no solo, possibilita ao usuário a
obtenção de madeira, para fins energéticos, que substitui os combustíveis
fósseis e mantém um ciclo fechado quando transforma a madeira
em carvão vegetal para operações siderúrgicas. Ou seja, libera
dióxido de carbono para a atmosfera durante o processo de carbonização,
mas fixa o elemento na fase florestal.
Por tudo isso, observa-se que o eucalipto, como
um gênero de inúmeras espécies, não deve ser julgado indiscriminadamente
como um vilão da natureza. Caberão ao empresário florestal o discernimento
e o bom senso na escolha correta das espécies, na adoção de técnicas
corretas de implantação, manejo e exploração, bem como um respeito
aos componentes naturais que garantem a sustentabilidade da produtividade
florestal. A adesão ao desenvolvimento não implica necessariamente
na destruição da natureza. É de consenso que devem existir florestas
artificiais de alta produtividade, que devem ser bem manejadas,
para que sejam sustentáveis; paralelamente, devem existir as ares
de florestas naturais, parcial ou completamente preservadas, menos
produtivas e mais estáveis. Respeitando as regras mínimas de convivência
com a natureza, o homem será capaz de obter lucros e garantir
a sobrevivência, sem temores, das futuras gerações.
Prof. José de Castro Silva
Professor DEF/CEDAF/UFV
Universidade Federal de Viçosa
e-mail: jcastro@ufv.br