Apesar de poder ser cultivada apenas em regiões tropicais, a
madeira de teca é muito procurada (principalmente) no continente
europeu, onde o preço por metro cúbico supera o do próprio mogno.
Mundialmente, a teca é apreciada pela qualidade de sua madeira,
bem como pela sua rusticidade.
A Tectona grandis L.f. pertence à família botânica Verbenaceae.
As folhas, que podem ter disposição oposta a verticilar em grupos
de três, são coriáceas e medem de 30 a 60 cm de comprimento por
20 a 35 cm de largura. Os limbos são largos e elípticos, glabros
na face superior e tomentosos na face inferior. As folhas amplas
tornam a árvore sombreante desde a fase juvenil.
As flores são pequenas, de coloração branco-amarelada e se dispõem
em panículas de até 40 x 35 cm.
Os frutos são do tipo drupa, cilíndricos, de cor marrom e possuem
diâmetro de aproximadamente 1 cm. Cada fruto apresenta quatro
cavidades, dentro das quais estão as sementes (uma por cavidade);
porém, nem todas germinam. A primeira frutificação ocorre aos
5 ou 6 anos de idade.
Quando adulta, a árvore atinge entre 25 a 35 m (raramente acima
de 45 m) de altura e diâmetro (DAP) de 100 cm ou mais. Seu tronco
é reto e revestido por uma casca espessa, resistente ao fogo.
Perde as folhas durante a estação seca, pois se trata de uma essência
caducifólia.
A madeira
O alburno é estreito e claro, bem distinto do cerne, cuja cor
é marrom viva e brilhante. Essa beleza peculiar faz da teca uma
madeira muito procurada para decoração de interiores luxuosos
e mobiliário fino.
Além do efeito decorativo, a madeira de teca é utilizada para
as mais diversas finalidades: construção naval, laminação e compensados,
lenha e carvão vegetal; as duas últimas são específicas para as
áreas de ocorrência natural.
A densidade média da teca é 0,65g/cm³ e, apesar de ser leve,
apresenta boa resistência e peso, tração e flexão, semelhante
ao mogno brasileiro.
A madeira é estável; praticamente não empena e se contrai muito
pouco durante a secagem. A estabilidade permite que a teca (madeira)
resista à variação de umidade no ambiente.
A durabilidade é uma característica marcante dessa espécie.
Até o momento são poucos os registros, nos países onde a teca
é cultivada, de ataques de pragas que possam comprometer os plantios.
A durabilidade do cerne deve-se a tectoquinona, um preservativo
natural contido nas células da madeira.
O alburno é um material permeável, propriedade que facilita a
aplicação de preservativos. Porém, esse tratamento somente é necessário
quando a madeira ficar exposta ao tempo; ademais, o alburno possui
todas as características do cerne.
Tanto alburno quanto cerne contêm uma substância semelhante a
um látex, denominado caucho, que reduz a absorção de água e lubrifica
as superfícies. Essa substância também confere resistência a ácidos
e protege pregos e parafusos da corrosão.
Nos países onde a teca é explorada - de floresta nativa ou reflorestamento
- , toda a madeira é aproveitada, incluindo as toras de pequeno
diâmetro obtidas nos desbastes. Painéis de sarrafos são utilizados
para a fabricação de móveis, portas, decoração interna e também
na produção dos mais diversos utensílios. A madeira de pequeno
diâmetro é largamente usada na edificação de construções rústicas,
como vigamento, esteio ou madeiramento do telhado.
Experiência do Mato Grosso
Apesar de haver plantios experimentais com teca em instituições
de ensino e pesquisa (há um talhão na ESALQ plantado em 1959),
um dos reflorestamentos de teca mais antigos e expressivos foi
implantado em Cáceres, no Mato Grosso.
Em 1968, a Cáceres Florestal testou espécies madeireiras que
pudessem impulsionar o reflorestamento daquela região. Dentre
estas, a teca se mostrou com boa aptidão e de rápido crescimento
em altura. Outro fator importante para impulsionar o plantio de
teca foi o preço dessa madeira no mercado internacional, muito
superior ao do mogno. No Brasil, a teca tem sido manejada em ciclos
de corte de 25 anos, enquanto nos demais países de cultivo, esse
ciclo varia de 60 a 80 anos.
O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) testou a qualidade
da madeira proveniente de Cáceres e garante que as propriedades
físicas e mecânicas são semelhantes às madeiras de teca oriundas
do sudeste asiático.
Em 1986, a área plantada com teca era de cerca de 10 mil hectares;
sendo que atualmente, só o Estado do Mato Grosso já possui mais
de 50 mil ha de plantios.
A teca também vem ganhando espaço no Amazonas, principalmente
devido a estudos como o realizado na Estação Experimental da EMBRAPA
do Distrito Agropecuário da SUFRAMA, Manaus-AM. De acordo com
pesquisadores da EMBRAPA, sistemas agroflorestais com teca, entre
outras espécies, pode ser uma alternativa de recuperação de áreas
de pastagens abandonadas e degradadas, bem como uma maneira de
conter a pressão de desmatamento sobre florestas primárias e promover
o desenvolvimento social, econômico e ecológico sustentáveis nessa
região.
Para plantar teca, o clima mais propício é o tropical úmido,
caracterizado por verão chuvoso e inverno seco. Deve-se atentar
para os seguintes fatores:
1) Precipitação anual entre 1200 e 2500 mm.
2) Período seco de 3 a 5 meses, coincidente com o período de temperaturas
mais amenas. A qualidade da madeira depende desse período seco.
3) A temperatura média anual deve estar acima de 22ºC. O melhor
crescimento das mudas de teca ocorre quando as temperaturas diurnas
variam entre 27º e 36ºC e noturnas entre 22º e 31ºC.
A teca é exigente em fertilidade de solo, que deve ser profundo
(mais de 1,5 m), permeável, bem drenado, mas com capacidade média
a alta de retenção de água. Os solos de textura média são os mais
indicados. Um estudo de avaliação do estado nutricional, crescimento
de teca e suas relações com os fatores de solo (1), mostrou que
o melhor desenvolvimento está relacionado à riqueza dos nutrientes,
matéria orgânica e pH próximo da neutralidade.
A teca é uma essência exigente em teores de bases trocáveis do
solo, principalmente cálcio.
Terrenos de maior declividade devem ser evitados, por problemas
de erosão. Caso esse tipo de terreno seja utilizado, recomenda-se
a construção de obras de conservação de solo (curvas de nível
e terraços) e o uso das técnicas de cultivo mínimo.
Produção de mudas
Para reflorestar um hectare de teca, no espaçamento 3 x 2 m,
são necessários, aproximadamente, quatro quilos de frutos (incluindo
provisões para mudas de replantio). Os frutos podem ser colhidos
de julho a outubro e armazenados em local fresco, seco e abrigado
da luz.
Comercialmente, o que é chamado de semente, na realidade, trata-se
do fruto. As sementes verdadeiras são muito pequenas e delicadas
e o fruto é duro demais para ser rompido e liberar as sementes
sem danos. Portanto, planta-se o fruto e não as sementes.
Para uniformizar a germinação, os frutos de teca devem ser colocados
imersos em água corrente por 24 a 48 horas. O melhor substrato
é a areia com terra orgânica (na sementeira) e a temperatura ótima
é alcançada cobrindo-se a sementeira com lona plástica preta por
96 horas. As plântulas germinadas são então repicadas para saquinhos
plásticos ou tubetes, estando prontas para plantio entre 3 a 4
meses.
Uma alternativa de produção de mudas é através de raiz nua, camada
muda-toco. Essa técnica consiste em podar a planta de forma a
reter 10 cm da raiz pivotante e 2 cm do caule. A muda "toco" pode
ser plantada para recipientes individuais ou ser plantada diretamente
no campo. Como desvantagem, tem-se o tempo maior, de quatro a
onze meses, para produção das mudas.
Quando a opção for a de produzir mudas por sementes, deve-se
levar em conta a qualidade do lote de sementes. Sementes melhoras,
de áreas de produção, baseiam-se em matrizes com adequado formato
do tronco (retilíneo, sem bifurcações etc) e crescimento. Além
do aspecto silvicultural, é importante conhecer as características
físicas (densidade, resistência mecânica da madeira) das procedências
utilizadas.
Produtividade
Os dados que seguem são referentes a plantios realizados em condições
adequadas de cultivo, bem como solo, clima, qualidade de semente
e outros.
A produtividade média, no ciclo recomendado para produção de
madeira comercial, situa-se entre 10 a 15 m³/ha/ano, totalizando
de 250 a 350 m³/ha ao longo de 25 anos e num regime com quatro
desbastes.
De 50 a 60% da produção total é colhido no corte final; esse
volume corresponde a valores entre 150 e 230 m³/ha.
A madeira do primeiro desbaste é considerada não-comercial, porém,
tem aplicações no meio rural, podendo gerar receita significativa.
Os custos de implantação e manutenção são amortizados nos segundo
e terceiro desbastes.
O quarto desbaste e o corte final concentram o resultado econômico
do reflorestamento com teca.
Atualmente, o preço FOB do metro cúbico de madeira de teca comercial
varia de US$ 400 a US$ 3000, dependendo da qualidade de madeira
(com ou sem nós) e bitola das toras.
A produção mundial é de aproximadamente 3 milhões de m³ por ano,
sendo que a maior parcela é consumida pelo mercado interno dos
países produtores. O mercado internacional consome cerca de 500
mil metros cúbicos, mas a oferta ainda é muito menor que a demanda.
De acordo com análises de mercado, haverá aumento de demanda
devido à melhoria no padrão de vida nos países em desenvolvimento.
O decréscimo da oferta de outras madeiras tropicais que ocorrem
em áreas naturais (como o mogno) e a conscientização ambiental
dos consumidores, principalmente europeus, também são fatores
decisivos para o aumento da demanda.
O mercado brasileiro também é visto como um grande potencial
de consumo, assim como de produção. Afinal, o Brasil possui áreas
adequadas para plantio de teca e uma floresta tropical para preservar.
Os maiores produtores: Indonésia, Mianmar e Sri Lanka. E os maiores
importadores são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Dinamarca,
Emirados Árabes, EUA, Japão, Holanda, Itália e Reino Unido.
Hong Kong e Cingapura são centros de manufatura e reexportação
da teca de Mianmar. A Índia e a Tailândia além de produzir, passaram
a importar.
Depto de Ciências Florestais
ESALQ/USP